A crise permite rostos graves, frontes preocupadas, que sempre
impressionam os leitores.
A crise cria um suspense, a vida fica mais excitante.A crise estimula a inteligência.
A crise é boa para ex-presidentes que passam à História como bons governantes.
Aliás, a crise tem o mérito de transformar a todos nós em politicamente corretos. Todos somos politicamente corretos, menos a crise.
A crise é assunto. Todos escrevem sobre a crise,(estou cumprindo a profecia kkk) como se fosse uma musa, uma mulher.A crise não é uma mulher. Se bem que a crise é boa para
justificar broxadas: "Minha filha... desculpe... é a crise...”
A crise tem esta serventia também: limpar pessoas.A crise lava pessoas como a Bahamas lava dinheiro.A crise é boa para limpar prestígios. Corrupto vira reformador
moral.
A crise é boa para aumentar o contato com o absurdo, logo, com o mistério da vida. Neste sentido a crise é filosófica. Aumenta a profundidade dos políticos. Daí dizer-se: "É profunda a crise..."
A crise é democrática como a morte: ela poderá atingir a todos,
com exceção dos políticos, claro, que ganham bem(prefiro nem comentar..) e podem ficar intocados pela adversidade,nas suas mansões de milhões.
#A crise penetrou como um assaltante a minha casa..
